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BIS e Projeto Agorá: testes de pagamentos cross-border tokenizados colocam interoperabilidade e governança no centro do jogo

Meta description: BIS avança no Projeto Agorá com testes de pagamentos cross-border tokenizados e atomic settlement, pressionando interoperabilidade, governança e stablecoins.

Introdução

Pagamentos internacionais ainda funcionam como “infraestrutura antiga com remendos”: múltiplas camadas, prazos, conciliações e dependência de janelas operacionais. É por isso que, quando o BIS coloca o Projeto Agorá em uma nova fase de testes para pagamentos cross-border tokenizados, com bancos centrais e mais de 40 bancos comerciais intensificando experimentos, o tema deixa de ser curiosidade tecnológica e vira disputa por trilhos.

O ponto mais importante não é “usar blockchain”. É modernizar a liquidação internacional, incluindo a ideia de atomic settlement, e forçar o mercado a encarar duas palavras que definem escala: interoperabilidade e governança.

O que é o Projeto Agorá e o que muda nesta fase de testes

O Projeto Agorá busca criar um ambiente em que participantes institucionais possam testar uma plataforma para pagamentos internacionais tokenizados, com foco em eficiência e redução de fricções no pós-trade.

Nesta fase, o avanço tende a estar em três frentes:

  • Participação ampliada de bancos comerciais ao lado de bancos centrais
  • Testes mais próximos de cenários reais de operação e liquidação
  • Exploração de modelos que reduzam risco e tempo de settlement, como atomic settlement

Em outras palavras: o projeto sai do “conceito” e entra no “funciona em escala?”.

O que são pagamentos cross-border tokenizados na prática

Pagamentos tokenizados não significam “criptomoedas para tudo”. Significam usar representações digitais e regras programáveis para melhorar:

  • Registro e rastreabilidade de instruções de pagamento
  • Coordenação entre instituições de países diferentes
  • Liquidação e conciliação com menos etapas intermediárias

A vantagem potencial está em reduzir o número de “passagens de bastão” que hoje existem entre bancos, correspondentes, sistemas de mensagens e processos de conciliação.

Atomic settlement: por que esse conceito é tão relevante

Atomic settlement, de forma simples, é a ideia de uma liquidação “tudo ou nada”: a transferência acontece simultaneamente entre as partes, ou não acontece.

O problema que isso tenta resolver

Em pagamentos internacionais tradicionais, você tem riscos como:

  • Risco de contraparte durante o intervalo entre instrução e liquidação
  • Tempo com dinheiro “em trânsito” e incerteza de status
  • Necessidade de garantias e processos adicionais para reduzir falhas

O que atomic settlement pode melhorar

  • Reduz janelas de risco, porque a entrega é sincronizada
  • Pode diminuir fricções de conciliação e exceções operacionais
  • Aumenta previsibilidade do processo para participantes institucionais

Exemplo prático
Em uma liquidação internacional, atrasos e divergências de status geram retrabalho e custo. Um modelo mais atômico pode reduzir essas exceções ao tornar a conclusão mais determinística.

Importante: atomic settlement não “mágica” a complexidade do cross-border. Ele exige coordenação técnica e regras bem definidas entre jurisdições.

Por que isso pressiona interoperabilidade e governança

O cross-border é onde projetos tecnológicos geralmente travam. Não por performance, mas por coordenação.

Interoperabilidade

Interoperabilidade é a capacidade de diferentes sistemas conversarem e liquidarem entre si sem virar uma colcha de retalhos.

Para isso, o mercado precisa alinhar:

  • Padrões de dados e mensageria
  • Regras para identificar, validar e roteirizar transações
  • Tratamento consistente de exceções, reversões e disputas
  • Formas de conectar redes e participantes sem criar ilhas de liquidez

Sem interoperabilidade, você cria vários trilhos novos… que não se conectam. Aí o problema original só muda de nome.

Governança

Governança define “quem manda no quê” e “quem responde pelo quê”:

  • Critérios de participação e requisitos de conformidade
  • Responsabilidade por falhas, disputas e incidentes
  • Atualizações de regras e evolução do sistema
  • Controles operacionais, auditoria e transparência institucional

Em cross-border, governança é tão importante quanto tecnologia — porque envolve soberania, regulação e risco sistêmico.

Stablecoins entram na equação: concorrência e complemento

O Projeto Agorá também importa porque encosta em um território onde stablecoins já ganharam espaço: remessas e settlement.

Onde pode competir com stablecoins

  • Rotas que exigem padrão institucional e supervisão mais direta
  • Casos em que bancos preferem trilhos alinhados a estruturas tradicionais
  • Ambientes que demandam governança e participação restrita

Onde pode complementar stablecoins

  • Stablecoins como camada de liquidez em ecossistemas específicos
  • Integrações híbridas em que trilhos institucionais e stablecoins coexistem
  • Modelos em que stablecoins viram “ponte” em partes do fluxo, com controles

O ponto-chave: o mercado não está escolhendo um único trilho. Está testando qual trilho funciona melhor em cada rota, com diferentes níveis de risco e exigência regulatória.

Alerta importante
Stablecoins e criptoativos envolvem riscos de emissor, reservas, acesso e mudanças regulatórias. Em pagamentos, riscos operacionais e de compliance também pesam. Não existe garantia de estabilidade perfeita em qualquer cenário.

Impactos para bancos, fintechs e empresas

Se iniciativas como essa avançarem, o efeito tende a aparecer em como o dinheiro internacional circula.

Bancos

  • Maior pressão para modernizar back office e conciliação
  • Padronização de processos e controles em rotas internacionais
  • Novas oportunidades de serviços de tesouraria e liquidação

Fintechs e provedores de pagamento

  • Integração com trilhos institucionais pode abrir novos produtos
  • Exigências de compliance tendem a subir
  • Distribuição e acesso viram diferencial competitivo

Empresas que operam globalmente

  • Potencial redução de tempo e fricção em pagamentos internacionais
  • Melhor previsibilidade de status e rastreabilidade
  • Possível redução de custo indireto de “dinheiro em trânsito”

Importante: ganhos reais dependem de adesão, integração e alinhamento regulatório. Teste não é adoção.

O que pode travar a adoção em escala

Mesmo com testes avançados, há gargalos clássicos:

  • Integração com sistemas legados e rotinas bancárias existentes
  • Alinhamento regulatório entre países e diferentes exigências locais
  • Incentivo econômico claro para migrar volume (custo e tempo)
  • Modelos de governança aceitos por participantes diversos

Sem esses pilares, o projeto pode ficar em piloto prolongado. Com eles, pode virar padrão de mercado em rotas específicas.

FAQ

O que é o Projeto Agorá do BIS?

É uma iniciativa para testar uma plataforma de pagamentos cross-border tokenizados com participação de bancos centrais e bancos comerciais, buscando melhorar eficiência de liquidação.

O que significa atomic settlement em pagamentos internacionais?

É um modelo em que a liquidação ocorre de forma sincronizada “tudo ou nada”, reduzindo janelas de risco de contraparte e fricções de conciliação.

Isso compete com stablecoins?

Em parte, sim. Pode competir em remessas e settlement, mas também pode funcionar como complemento em estruturas híbridas.

Por que interoperabilidade é tão importante nesse tema?

Porque cross-border envolve múltiplos sistemas e jurisdições. Sem padrões, surgem ilhas de liquidez e a eficiência não escala.

Isso vai baratear pagamentos internacionais rapidamente?

Não necessariamente. Testes são um passo, mas o ganho depende de adesão, integração com sistemas legados e alinhamento regulatório.

Conclusão

A nova fase de testes do Projeto Agorá do BIS mostra que 2026 está cada vez mais focado em infraestrutura: pagamentos internacionais, liquidação tokenizada e modelos como atomic settlement. Ao mesmo tempo, pressiona o mercado a resolver o que realmente define escala: interoperabilidade e governança, criando um trilho institucional que pode competir e complementar stablecoins.

Henri Morgan

Henri Morgan

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