Meta description: Depósitos tokenizados do BNY Mellon avançam como “digital cash” para liquidação on-chain 24/7, com impactos em compliance, interoperabilidade e capital.
Depósitos tokenizados voltaram ao centro do debate porque atacam um problema real do mercado: a fricção entre dinheiro bancário, janelas de liquidação e a demanda por operações mais contínuas. Quando o BNY Mellon amplia a oferta de “digital cash” e sinaliza ambição de tokenizar depósitos bancários para liquidação em trilhos blockchain, o movimento vai além de inovação incremental. Ele aponta para uma reorganização da infraestrutura de pagamentos e settlement, com efeitos diretos em eficiência de capital, controles e integração com o ecossistema de ativos tokenizados.
Ao mesmo tempo, isso reforça um “duelo” cada vez mais relevante em 2026: dinheiro bancário tokenizado vs stablecoin. Não porque um necessariamente “mata” o outro, mas porque ambos competem por casos de uso parecidos: liquidação rápida, operação 24/7 e integração com ativos digitais. A diferença está no risco, na governança e na forma como cada trilho se conecta ao sistema bancário e às exigências regulatórias.
Criptoativos e infraestrutura on-chain envolvem riscos operacionais e regulatórios. Mudanças de regras, falhas de integração e eventos de liquidez podem afetar acesso e funcionamento. Não há garantias de adoção ampla nem de resultados financeiros.
O que são depósitos tokenizados e por que isso importa
Depósitos tokenizados são representações digitais, em trilhos blockchain, de depósitos bancários mantidos em uma instituição financeira. A ideia central é permitir que o “dinheiro bancário” circule de forma mais programável e com liquidação mais rápida entre participantes autorizados, sem depender do mesmo conjunto de janelas e fricções do backoffice tradicional.
Isso importa porque a maior parte do sistema financeiro roda sobre depósitos bancários. Se esse “dinheiro” ganha uma camada tokenizada, abrem-se portas para:
- Liquidação mais ágil em operações institucionais
- Redução de fricção em pós-negociação e conciliação
- Integração mais direta com ativos tokenizados e trilhos digitais
- Potencial para funcionamento mais contínuo, aproximando-se de um modelo 24/7
Por que o “digital cash” do BNY Mellon é um sinal institucional forte
Quando uma instituição com DNA de custódia, pós-trade e infraestrutura institucional avança em “digital cash”, o mercado tende a ler como:
- Maior foco em casos de uso reais, não só piloto de marketing
- Adoção pensada para clientes institucionais e padrões de governança
- Integração com processos de compliance e controles operacionais
- Busca por interoperabilidade com outros trilhos e participantes
Em outras palavras, o sinal não é “vamos criar uma moeda”. É “vamos modernizar o settlement e a movimentação de caixa” dentro de um ambiente mais controlado.
Depósitos tokenizados vs stablecoins: onde está a diferença de verdade
Stablecoins se popularizaram porque oferecem liquidação rápida e ampla compatibilidade com blockchains públicas, além de funcionar bem como “ponte” entre exchanges, DeFi e pagamentos digitais. Depósitos tokenizados, por outro lado, carregam a tese de que o sistema bancário pode oferecer um “dinheiro nativo” em trilhos digitais com uma governança mais próxima do modelo tradicional.
Como stablecoins costumam vencer
Stablecoins tendem a ganhar quando o objetivo é:
- Acesso amplo e interoperabilidade com ecossistemas cripto
- Liquidação global em ambiente mais aberto
- Integração com aplicações on-chain e infraestrutura de varejo digital
Como depósitos tokenizados podem vencer
Depósitos tokenizados tendem a ganhar quando o objetivo é:
- Operação institucional com requisitos de controle e auditoria mais rígidos
- Integração direta com contas bancárias e processos de tesouraria
- Redução de fricção em settlement e reconciliação entre instituições
- Alinhar inovação com exigências regulatórias e governança bancária
Na prática, a disputa não é só tecnológica. É uma disputa por confiança, responsabilidade e integração com o “mundo real” do dinheiro.
Settlement 24/7: o que muda quando o dinheiro acompanha o ritmo
A promessa de settlement 24/7 é uma das mais poderosas porque mexe no custo invisível do mercado: tempo. Quando a liquidação depende de janelas, o sistema precisa manter buffers, garantias e processos que “cobrem” o intervalo. Quando a liquidação acelera, pode haver ganhos como:
- Menor risco de contraparte no período entre execução e acerto
- Menor necessidade de capital parado como colchão operacional
- Melhor uso de caixa e colateral, com gestão mais dinâmica
- Menos fricção em conciliação e backoffice em operações recorrentes
Isso não significa liquidação perfeita sem risco. Significa uma mudança na mecânica: parte do risco de tempo diminui, e cresce a importância de resiliência tecnológica e governança.
Eficiência de capital: por que esse é o grande prêmio
Quando instituições falam em modernização de settlement, no fundo estão falando de eficiência de capital. Pequenas reduções de fricção podem gerar impactos relevantes em:
- Necessidade de margem e garantias em certas operações
- Otimização de caixa em tesourarias
- Velocidade de rotação do capital em estruturas de mercado
- Custos operacionais e de reconciliação
Depósitos tokenizados podem se tornar uma peça-chave justamente por serem “dinheiro bancário” com uma camada programável, potencialmente mais fácil de encaixar em fluxos institucionais do que alternativas que exigem mudanças maiores de processo.
Compliance e governança: a parte que decide escala
A adoção institucional depende menos do hype e mais de controles. Em depósitos tokenizados, os pontos críticos costumam ser:
- Regras de elegibilidade e onboarding de participantes
- Segregação de funções, permissões e trilhas de auditoria
- Políticas de monitoramento e prevenção a ilícitos
- Responsabilidade clara em incidentes e falhas operacionais
- Procedimentos de contingência e continuidade
Quanto mais o sistema se aproxima de settlement “core”, mais o regulador e os comitês de risco exigem padrões robustos. Esse é o custo da escala.
Interoperabilidade: o desafio que transforma piloto em infraestrutura
Mesmo com uma solução forte, o valor real só aparece quando há interoperabilidade:
- Entre bancos e participantes do ecossistema financeiro
- Entre redes e padrões de tokenização
- Entre custódia, clearing e trilhos de liquidação
- Entre tesourarias corporativas e infraestrutura de mercado
Se cada instituição criar seu trilho fechado, o ganho fica limitado. Se houver convergência de padrões, o mercado pode caminhar para uma camada de liquidação digital mais integrada.
Riscos e pontos de atenção
Movimentos institucionais não eliminam risco. Eles mudam o tipo de risco. Em depósitos tokenizados, atenção para:
- Risco regulatório, com mudanças de escopo e exigências
- Risco operacional, principalmente em integrações e contingência
- Risco de concentração, com poucos provedores dominando trilhos
- Risco de fragmentação, se padrões não convergirem
- Risco de execução, porque “produto pronto” e “produto escalado” são coisas diferentes
FAQ sobre depósitos tokenizados e liquidação on-chain
O que são depósitos tokenizados?
São representações digitais de depósitos bancários em trilhos blockchain, usadas para movimentação e liquidação entre participantes autorizados.
Depósitos tokenizados competem com stablecoins?
Em parte, sim. Ambos disputam liquidação rápida e casos de uso de pagamentos e settlement, mas com modelos de governança e integração diferentes.
Por que o settlement 24/7 é tão importante para instituições?
Porque reduz fricção e risco de tempo, podendo melhorar eficiência de capital e acelerar processos de pós-negociação.
Isso elimina risco de contraparte e falhas?
Não. Reduz alguns riscos ligados ao tempo de liquidação, mas aumenta a exigência de resiliência tecnológica, controles e governança.
O que é o maior gargalo para escala?
Compliance, interoperabilidade, controles de custódia e execução operacional consistente, além de alinhamento regulatório.
Como isso afeta o mercado de ativos tokenizados?
Fortalece a infraestrutura para que ativos tokenizados tenham liquidação e funding mais eficientes, aproximando tokenização de “uso real” institucional.
Conclusão
O avanço do BNY Mellon em “digital cash” e depósitos tokenizados para liquidação on-chain reforça uma mudança de fase: a disputa está migrando de narrativa para infraestrutura. A tese “dinheiro bancário tokenizado vs stablecoin” tende a ganhar corpo à medida que instituições buscam settlement 24/7, eficiência de capital e integração com ativos tokenizados. O preço dessa evolução é uma régua mais alta de compliance, interoperabilidade e governança operacional.



